The Dragon Republic – R.F. Kuang

Você pode ler essa resenha em inglês aqui.

The Dragon Republic é a sequênica de The Poppy War e o segundo livro nessa trilogia impossível de largar.

Acabei de terminar de ler esse livro e estou aqui escrevendo essa resenha, a história ainda está fresca na minha mente, mas eu mal consigo expressar como me sinto sobre este livro. Felizmente ele não sofre da síndrome-de-segundo-livro e eu estou TÃO feliz por isso. Eu comecei a ler ele no dia depois que terminei de ler The Poppy War, e a verdade é que eu estava preocupada, porque como alguém escreve uma sequência para aquilo? Aquele livro foi um atropelamento total, uma tempestade furiosa, um meteoro colidindo contra o chão. Ok nada disso faz muito sentido, mas o ponto é que, felizmente The Dragon Republic é bom. Eu admito que ele é um livro bem diferente do que o anterior, até porque a simples quantidade de plot twists e de viradas do primeiro livro e o fato de que ele basicamente me passou a sensação durante a leitura de ser um 3 em 1 em termos de plot, é simplesmente algo que não acredito que possa ser replicado. Esteja avisado de que essa resenha terá spoilers do primeiro livro então se você ainda não o leu, vá fazer isso agora!

The Dragon Republic começa onde o primeiro livro terminou. A nação de Nikara está em pedaços após a guerra e Rin também. Pior, ela está sofrendo com os traumas de todos os horrores que vivenciou e cometeu durante a guerra, e também está sentindo um luto incomensurável pela morte de Altan. Ela recorre ao uso de ópio para tentar esquecer tudo, para tentar apenas se manter viva em meio à dor. É então que o lorde militar Dragão (Dragon Warlord) Yin Vaisra, aparece com uma oferta para Rin. Ele quer destruir o império, matar a imperatriz Su Daji e instaurar uma República. Impulsionada por sua raiva e seu desejo por vingança Rin fará o que for preciso para vencer. Mesmo que isso signifique se jogar em outra guerra. Mesmo que isso signifique levar a si mesma até os seus limites mais extremos.

Ela não se importava com a visão das outras pessoas sobre o futuro. Ela havia parado de querer ser grandiosa, de querer esculpir seu lugar na história, há muito tempo. Ela havia aprendido o custo disso. Eela não sabia como dizer que estava tão cansada. Tudo que ela queria era conseguir a vingança de Altan. Ela queria colocar uma lâmina no coração de Daji. E então ela queria desaparecer.

Esse livro é uma loucura. O que quer que você estiver esperando, R.F. Kuang pega você e te joga em uma direção completamente diferente. Há muito crescimento de personagem nesse livro, e de uma forma diferente do primeiro livro. Aqui temos uma Rin que foi quebrada, uma protagonista que foi até o inferno e sobreviveu, ela está lidando com tudo isso e também com seu novo vício em ópio, e processando a morte de seu amigo. Para ser honesta Altan não é um personagem que eu gosto. Eu entendo sua importância, e não condeno-o, mas ele realmente me irritava muito. E eu sei que ele era importante para Rin, mas a profundidade do luto dela e o tamanho das raízes que Altan criou dentro da mente dela são muito maiores do que eu jamais pensei. A autora trabalhou com essa parte da história muito bem. O trauma da personagem não vai embora de forma milagrosa, e de fato provavelmente nunca sumirá. Porque é assim que as coisas são. As pessoas aprendem a viver com aquilo que passaram, mesmo as partes mais horríveis. Isso nos dá um novo lado dessa protagonista, um lado quebrado e frágil sim, mas isso também humaniza uma personagem que até então tínhamos apenas visto mostrar força. Foi fascinante ver a construção da autora para nos mostrar os pequenos passos de Rin em direção à sua recuperação, confiando no lorde Dragão e colocando-se disponível para um novo ciclo de batalhas, caos e morte.

Esse não era um mundo de homens. Era um mundo de deuses, uma época de grandes poderes. Era a era das divindades andando entre os homens, e de vento, água e fogo. E no estado de guerra, ela que possuía a assimetria de poder era a inevitável vitoriosa. Ela, a última Speerly, comandava o poder mais grandioso de todos.

Houve uma parte do livro, lá por 20-30% que o livro ficou um pouco mais parado, porque tiveram muitas coisas militares acontecendo. O livro é muito focado em estratégia, e a autora não nos poupa de descrições detalhadas de planos de batalhas, campanhas, e todo o aparato militar que você possa pensar. Mas mesmo assim não é nem perto de fazer este livro ser chato, eu não conseguia largar o livro e de fato eu o li mais rápido que o primeiro mesmo que este seja mais de cem páginas maior que o anterior.

Os relacionamentos de Rin também ficaram mais fortes nesse livro. Não quero dar nenhum spoiler de nada, mas foi muito bom ver ela confiando nas pessoas, tendo pessoas que estavam lá por ela, finalmente. Ela já sofre tanto, que sinto que essa personagem merece isso. R.F. Kuang está realmente me fazendo temer pela vida dos personagens, sério. Ela é quase pior que o George R.R. Martin e isso é algo a se dizer.

Há uma grande mudança no ritmo da segunda metade para frente e é tão repleto de ação que você sinceramente não consegue fazer nada a não ser devorá-lo. Eu não sei como alguém consegue largar esse livro. De fato mesmo nos momentos em que eu não estava lendo, a minha mente estava com ele, eu estava constantemente pensando sobre isso, sobre os personagens, e sobre o que aconteceria em seguida, me chame de obcecada, mas este livro consumiu toda a minha vida. E não posso deixar de mencionar que esse é consideravelmente menos pesado que o primeiro, não apenas porque não tem metade das coisas pesadas do primeiro (elas estão lá mas há muito menos que o primeiro), mas também a autora cria um equilíbrio, há mais respiros. A autora nos dá momentos preciosos de felicidade para nossos personagens, seja quando eles estão aproveitando um vinho ruim, tendo uma conversa filosófica, ou rindo de alguma coisa ridícula, nós temos essas quebras, essas pausas, que não só criam esse ritmo balanceado perfeito para o livro, mas também são tão preciosas que meu coração ficou feliz lendo-as.

A coisa pela qual você não está pronto é o fim. Eu poderia usar um bando de metáforas aqui, sobre como eu senti que meu coração foi arrancado do peito, sobre como minha respiração foi roubada do meu peito por um grande impacto (o livro me atacou) ou qualquer coisa assim, mas o ponto é que o final foi devastador, foi rápido, como um raio, e eu não estava preparada. Eu me senti tão chocada que só li de novo e de novo. Eu mal posso esperar para ver o que vem a seguir. Eu não sei o que esperar MESMO, mas sei que cada osso do meu corpo será destruído pela força da escrita e da criação de histórias que essa autora possuí.

Se The Poppy War é um livro sobre guerra, então The Dragon Republic é um livro sobre as consequências devastadoras da guerra, como elas se prendem às pessoas que sobreviveram a ela, e o trauma embrenhado e, cada aspecto de suas vidas e como após a guerra ninguém é mais o que era antes. Ninguém é o mesmo do primeiro livro, especialmente Rin. R.F.Kuang foi capaz de criar isso de maneira tão hábil em sua história, na vida de seus personagens, em suas visões de mundo e pensamentos que nem por um momento você esquece, você é lembrado assim como estes personagens, que o preço da guerra é assombroso, você assiste enquanto eles tentam juntar os pedaços e se tornarem inteiros de novo, e a imagem final que você recebe é diferente da que tinha antes. A façanha de The Dragon Republic é que ele é, de alguma forma, um livro impulsionado tanto pela plot quanto pelos personagens ao mesmo tempo e isso me deixou completamente de queixo caído. Normalmente é um ou o outro, e eu nem sei se eu já li um que me pareceu ser os dois como esse (e se li não estou lembrando agora). Esse livro não pode ser nada além de um cinco estrelas e um favorito, e ele também consolidou R.F.Kuang como uma nova autora favorita.

Você pode comprar esse livro através do meu link de afiliado e eu recebo uma pequena comissão por isso, link aqui para a edição em inglês. Por enquanto ainda não há previsão de tradução.

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