If We Were Villains – M.L.Rio

If We Were Villains (Se Nós Fossemos Vilões em tradução livre) é com absoluta certeza um dos meus livros favoritos.

Em 1997 num campus de uma Universidade de artes e humanidades, os sete alunos do quarto ano do curso de teatro estão prestes a experimentar um nível de drama para o qual eles não estavam preparados. Dez anos mais tarde, Oliver Marks acabou de cumprir a sentença de dez anos na prisão, por uma assassinato que ele pode ter cometido ou não. Quando ele é liberado Oliver reconta sua história para o Detetive Colborne, que está prestes a se aposentar, mas deseja saber o que realmente aconteceu tantos anos atrás.

A época: Setembro de 1997, meu quarto e último ano no Dellecher Conservatório Clássico. O local: Broadwater Illinois, uma cidade pequena de quase nenhuma consequência. Tinha sido um outono quente até agora. Entram os atores. Haviam sete de nós então, sete jovens coisas brilhantes com grandes e preciosos futuros à sua frente, mesmo que não enxergássemos além dos livros na frente de nossos rostos. Nós estávamos sempre rodeados de livros e de palavras e de poesia, todas as ferozes paixões do mundo encadernadas em couro e velino.

Antes deste lido eu não havia lido nenhum livro que fosse canonicamente um dark academia (academia sombria). Eu não considero Vicious de V.E. Schwab ou Truly Devious de Maureen Johnson parte desse subgênero pois o foco de Vicious não é nesse ambiente acadêmico e muito mais no sci-fi enquanto que Truly Devious é como um… Bebê dark academia, porque como os personagens ainda estão no ensino médio e são muito jovens não se encaixaria totalmente nos termos propostos pelo dark academia, que incluem um pano de fundo universitário, descrições atmosféricas intensas, foco em graduações envolvendo arts & humanidades, e até certo ponto o uso e (abuso) de substâncias. Estas características não estão totalmente presentes nos dois livros que mencionei portanto não considero que eu havia lido nada do sub-gênero até agora, fazendo de If We Were Villains o livro que me introduziu ao dark academia e também o livro que iniciou a minha nova obsessão com ele. Hora de criar uma pasta nova no pinterest, yay.

Abaixo estava o lema: Per aspera ad astra. Eu havia escutado inúmeras traduções, mas a que eu gostava mais era, através dos espinhos, para as estrelas.

O septeto composto por, Oliver, James, Philipa, Meredith, Wren, Alexander e Richard não são apenas os veteranos do curso de teatro, mas eles também estudam exclusivamente Shakespeare. E sim, eles são presunçosos ao ponto de conversar em citações Shakesperianas. Eu não posso julgar esse comportamento, porque eu converso em citações de livros e filmes o tempo todo, então os entendo completamente. Os sete estão começando seu último ano que é também o ano onde os atores finalmente podem interpretar os papéis principais nas peças de drama escritas pelo Bardo. Toda a ambientação da universidade só me fez desejar ardentemente que eu estudasse lá, quero dizer, onde posso me inscrever? 

Eu sou particularmente apegada a livros onde eu encontro muitas citações favoritas. Não há nada errado em livros que não possuem tantas, mas quando acontece é muito especial, mesmo que o mais importante seja o quão profundamente esses quotes nos afetam e ressoam no seu coração e encontram um lugar para morar la para sempre. Alguns quotes desse livro inclusive me lembraram dos meus anos na faculdade e como podemos ser tão despreocupados e felizes antes que tudo desmorone como um castelo de cartas diante de nossos olhos.

Eu quase consigo ver nós sete correndo até a margem através das árvores, tirando nossas roupas, acelerando até a água, prontos para pular juntos ao mesmo tempo. Terceiro ano, o ano da comédia. Leve e delicioso e distante. Dias que não podemos ter de volta.

O livro é dividido em cinco Atos e cada um deles contém um prólogo narrado por Oliver assim que ele saiu da cadeia e está contando sua história para o Detetive, enquanto que as Cenas de cada Ato desenrolam os eventos ocorridos em 1997. Os personagens por si só foram um deleite para mim, cada um com sua personalidade única e também permeados de profundidade e escuridão à espreita em cada um. Eu amei como eles se perdiam durante suas atuações e ao mesmo tempo parte do que eles atuavam ressoava com as coisas que eles estavam vivendo na realidade e em situações similares as que eles passavam. Cada um era tão perturbado à sua própria maneira, e inevitavelmente acabam por encontrar-se tornando mais inimigos do que amigos, e tudo era tão tóxico e convincente ao mesmo tempo. Eu fiquei fascinada por tudo. Fascinada pela presunção deles, seus caráteres moralmente questionáveis, sua estética, a maneira como eles eram devotados uns aos outros, até mesmo quando isso foi longe demais.

É incrível que a autora é também uma atriz e thespian, e também possuí um mestrado em Estudos Shakesperianos, eu achei isso maravilhoso! Sinto que esse livro só poderia ter nascido de alguém como ela, e apesar de não conhecê-la saber dessas coisas me fez querer ser amiga dela.

Aqui vocês faram muitos amigos, e talvez alguns inimigos. Não deixem que esse prospecto os assuste – se você não fez nenhum inimigo na vida, você tem vivido muito seguramente.

A escrita é ótima e eu adorei o fato de termos apenas a perspectiva de Oliver durante o livro todo porque isso criou muito mistério sobre os outros personagens, nós podemos apenas vê-los como Oliver os via, mas isso não significa que devemos confiar em seu julgamento. Eu amei como enquanto você lê é possível perceber que apesar de eles serem uma “grande família” e confiarem uns nos outros através de suas amizades para compensar quaisquer que sejam os problemas que cada um tenha com suas famílias reais, isso não significa que os relacionamentos entre eles não sejam problemáticos ou tóxicos, porque eles de fato o eram. E enquanto eles estavam vivenciando aquilo, não importando o que eles passassem, eles não conseguiam se desvencilhar daquilo, dessa dinâmica tóxica para qual eles eram sugados, essa peça que eles tinham que continuar atuando. 

Eu queria que o livro nunca terminasse, por conta de quão bom foi ler ele. E quando o final finalmente chegou, eu me senti completamente arrebatada e destruída. Eu nem sei como processar o fim, e que fim. Leva todo o conceito de “tragédia shakesperiana” a um novo nível. Eu não sei como vou me recuperar disso. Não apenas esse foi um dos melhores livros de 2019, mas ele se tornou um dos meus favoritos da vida toda. 

Para a versão em inglês dessa resenha clique aqui.

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