Vox – Christina Dalcher

Este livro foi uma grande surpresa negativa. Para um livro que tem uma premissa tão intrigante e assustadora, uma realidade onde mulheres só podem falar 100 palavras por dia, este livro decaiu completamente durante seu desenrolar. Na metade do livro, ou um pouco antes disso, a narrativa se perdeu completamente e não conseguiu atingir nada do que poderia ser e este potencial desperdiçado me fez ficar com vergonha alheia.

Não vou mentir, há partes aqui e ali, frases e momentos que possuem impacto. Alguns “e se” que nos fazem pensar, mas só isso não é suficiente para fazer um bom livro. Para mim a escrita deste livro é péssima, achei-a ineficaz, pouco descritiva e plana, uma escrita que não foi convincente. Houveram diálogos excessivos, e boa parte do que estava sendo dito era confuso e desorganizado o que me fez ler sentenças de novo e de novo para conseguir compreender. Nenhum dos personagens foi desenvolvido completamente, especialmente a protagonista Jean, que foi irritante, dependente e me fazia querer arrancar os cabelos.

Houveram muitas coisas acadêmicas e cientificas acontecendo mas nenhuma deles foi suficientemente explicada ou descrita, de forma que foi frustrante ler algo que parecia incompleto, algo que parecia ter sido inserido apenas para dizer que “esta é a explicação” sem de fato explicar. Além de que o pouco que estava sendo explicado não parecia verossímil, o que dentro de uma narrativa é algo de crucial importância.

Eu senti que este livro realmente se perdeu durante seu percurso e isso é triste. Há falas e momentos em que se diz “isto pode acontecer se o presidente x for eleito” mas falta desenvolvimento para que isso seja crível.  Eu senti que o livro apenas ficava dizendo “isso pode acontecer num futuro próximo” como uma tentativa pífia de escrever uma ficção especulativa e distópica realmente assustadora.

Outra coisa que realmente me incomodou foi a constante menção a outras distopias como 1984, Laranja Mecânica e uma menção não mencionada que pareceu ser de O Conto da Aia. Mencionar tantas distopias assim não faz nenhum livro ser mais distópico, pelo contrário só aponta como essas distopias são muito mais bem escritas e executadas do que a que estamos lendo. Chega a ser meio cômico.

O final ocorre tão rápida e apressadamente que eu fiquei me perguntando se não faltava alguma parte do livro. Pois houveram tantas enrolações durante 90% da narrativa que o fim pareceu que foi simplesmente puf resolvido. Sinceramente a leitura de Vox me deixou mais do que decepcionada, me deixou com raiva. Raiva de ver tantas pessoas elogiando e hypando um livro que é simplesmente mal feito. É isto. Eu gostaria de ver as pessoas interpretando e resenhando livros um pouco mais criticamente do que apenas eleva-los por conta de uma premissa de plot que era interessante e foi completamente desperdiçada. Há realmente distopias muito boas por ai e minha recomendação é que você leia qualquer uma delas ao invés de perder seu tempo com Vox.

 

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