The Seven Husbands of Evelyn Hugo – Taylor Jenkins Reid

A elegante, reclusa e icônica atriz de cinema Evelyn Hugo decide finalmente contar a verdade sobre sua vida glamorosa e escandalosa e sobre nada menos do que os sete maridos que teve. Monique Grant é a jornalista encarregada para o trabalho, apesar de ela não fazer ideia do porquê ela foi escolhida em primeiro lugar.

Faça com que eles te paguem o que eles pagariam a um homem branco.

Evelyn Hugo narra sua vida desde o começo, quando ela decidiu ir em busca de uma vida melhor em Los Angeles nos anos 1950, passando por toda sua carreira e ascensão a fama, e uma das coisas mais geniais da história é mesclar os relatos de Evelyn com as matérias jornalísticas publicadas na época, mostrando ao leitor que nem sempre aquilo que a mídia e por conseguinte o público ficava sabendo era realmente a verdade. Isso é sensacional, pois apesar de Evelyn ser uma celebridade fictícia as coisas pelas quais ela passa e sua trajetória de vida nos fazem crer tão fielmente que ela é um ser real que o cérebro tem dificuldade de lembrar que ela é só uma personagem criada. Mais uma vez assim como em Daisy Jones & The Six a autora Taylor Jenkins Reid conseguiu algo estupendo, criar uma narrativa ficcional que transparece ao leitor como se fosse realidade.

Evelyn Hugo é nada menos do que uma personagem maravilhosa, incrível e inesquecível. Eu fiquei completamente impactada e extasiada ao saber cada detalhe da vida que ela levou e suas motivações e pensamentos durante todo o percurso. Evelyn é inteligente, dona de si e uma mulher que sabe o que quer, e que além disso, sabe o que precisa fazer para chegar aonde quer. Evelyn é muito franca sobre como a indústria do cinema tratava as mulheres na era de ouro do cinema e que muitas delas precisavam abrir mão de muita coisa para conseguirem chegar ao topo. Evelyn sempre foi vista como uma mulher sensual, um símbolo do sex-appeal no cinema americano e por conta disso muitas pessoas não viam nada além de seu belo corpo, e também de sua cabeleira loura, presumindo coisas e comportamentos sobre ela sem ao mesmo conhecê-la. A questão da sexualidade e do sexo estão muito presentes nessa narrativa e apesar de Evelyn ser apenas uma personagem é muito importante ver ela falando sobre o papel dessas duas coisas em uma jovem mulher em busca de ascensão em um mundo dominado majoritariamente pelos homens. Para completar Evelyn é uma mulher latina-americana filha de imigrantes cubanos, então além de ter de mudar seus cabelos para o louro aceitável Hollywodiano ela também precisou mudar de nome, nascida Evelyn Elena Herrera ela eventualmente se tornaria a lendária Evelyn Hugo.

Sempre foi fascinante para mim como as coisas podem ser simultaneamente verdadeiras e falsas, como as pessoas podem ser boas e ruins ao mesmo tempo, como alguém pode te amar de uma maneira que é lindamente altruísta enquanto serve a si mesmo impiedosamente.

Além disso apesar de ser Evelyn quem esta narrando os eventos sobre sua vida, o que poderia fazer com que em qualquer momento ela decidisse embeleza-los ou elevar a si mesma em um pedestal, ela constantemente lembra Monique (e a nós leitores) que ela não é uma boa pessoa, que ela cometeu erros e magoou a outras pessoas. E mesmo assim é impossível não ficar completamente fascinado por ela. Além disso temos explicitamente uma diferença entre a persona de Evelyn como ela era vista pelo mundo em seu auge da fama e também a pessoa que ela realmente era, a que se escondia atrás da máscara da fama e muitas vezes se sentia frustrada por isso.

A grande “plot twist” de Evelyn Hugo também é sensacional, e pela maneira como essa virada muda a narrativa em um nível bem importante eu acho muito interessante ter a experiência de leitura sem saber o que é, apesar de eu ter visto algumas pessoas contando o que é acho isso um erro pois prejudica a leitura das outras pessoas. Mas a despeito disso é algo extremamente importante para a narrativa e me fez admirar e amar ainda mais a Evelyn.

Outra coisa muito interessante é que além de termos a perspectiva de Evelyn como ela era vista pela mídia e como ela era realmente, temos as diversas Evelyns como elas eram vistas por cada um dos maridos que ela teve. Como eles a endeusavam e achavam que ela era uma musa inspiradora, ou como não a conheciam realmente, ou como a viam apenas como um símbolo sexual, enfim, eu achei que o fato de a autora ter mostrado isso tão claramente e além disso mais de uma vez já que são vários maridos, foi muito importante para essa discussão sobre a identidade da personagem que nós como leitores podemos criar e pensar durante toda a leitura.

O livro foi tão impactante para mim que eu não consegui escrever sobre ele por meses, fiz a leitura dele em Maio e só fui capaz de sentar para escrever sobre ele em Setembro. Simplesmente havia muita coisa para processar. The Seven Husbands of Evelyn Hugo é um dos meus favoritos deste ano e também um dos melhores livros que li na vida. No Brasil ele foi lançado em abril pela tag inéditos e será publicado em edição normal pela Paralela em outubro de 2019.

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