Sadie – Courtney Summers

Em Mattie, Sadie encontrou um senso de propósito, um lugar para depositar seu amor. Mas o amor é complicado, é confuso. Pode inspirar altruísmo, egoísmo, nossas maiores realizações e nossos erros mais difíceis. Ele nos une e pode facilmente nos separar. Ele pode nos levar.

O livro Sadie é narrado de duas formas. A primeira é através de um podcast chamado The Girls que foi criado com o intuito de investigar e tentar encontrar Sadie, uma garota que está desaparecida após o assassinato de sua irmã. A segunda forma de narração é o ponto de vista de Sadie, contando-nos sobre sua jornada. 

Eu li o livro em inglês, mas essa é a capa da edição brasileira publicada pela Plataforma21.

Sadie, de dezenove anos, vivia com a mãe e sua irmã de treze anos Mattie em um trailer. A mãe era uma viciada em drogas que negligenciou Sadie desde que ela nasceu. Mas tudo mudou quando Mattie chegou, pois além de a mãe tratá-la de forma diferente, Sadie encontrou em sua irmã forças para viver. Sadie fazia tudo por Mattie, e mesmo sendo uma criança de apenas seis anos cuidava da irmã bebê com uma devoção inesgotável. Os pequenos flashes que nos mostram como era o relacionamento das duas irmãs, são suficientes para demonstrar o quão intenso era a relação entre elas, e acima de tudo o tamanho do amor que Sadie sentia por Mattie.

É realmente muito triste quando a narrativa retorna ao presente e nos relembra que Mattie está morta. E é por causa do assassinato de Mattie que Sadie embarca em uma viagem perigosa e frenética em busca da verdade, mas acima de tudo em busca de vingança.

A narrativa intercala o ponto de vista de Sadie, vivenciando sua jornada no “passado” afinal tudo já aconteceu e ela está desaparecida e o podcast que se passa no presente onde o locutor de rádio West McCray é incubido da tarefa de encontrar Sadie pela avó adotiva dela.

Este é um livro pesado, envolvendo drogas, abuso e violência. É uma leitura angustiante, e a todo momento eu queria apenas que alguém ajudasse Sadie. Que alguém salvasse ela. Que alguém a tirasse daquela situação horrível que ela estava vivendo. A autora não suaviza as situações pelas quais a protagonista passa, é uma situação ruim atrás da outra.

Mas apesar de ter uma ideia promissora e também usar de uma ferramenta inovativa, o podcast, eu não achei o livro nada espetacular. Em alguns aspectos achei que ele traz mais shock value com as cenas pesadas do que real desenvolvimento para a narrativa. Eu também tive sentimentos conflitantes com a personagem Sadie, porque apesar de ela ser complexa eu senti que ela fica ofuscada pela sede de vingança e pelo ódio que sente na narrativa. E também há o fato de que existe quase zero desenvolvimento da personagem durante o livro, ela não cresce, ela não muda. Me sinto confusa em relação a ela pelo simples fato de que a construção da personagem e a sucessão de acontecimentos pelos quais ela passa são feitos para sentir pena dela e angústia de assistir seu sofrimento, e isso aconteceu comigo. Apesar de haver empatia pelos horrores vividos pela personagem, não quer dizer que eu goste dela ou que tenha desenvolvido algum tipo de afeto ou carinho pela personagem. É uma sensação estranha e uma situação estranha também, porque me fez questionar se a Sadie talvez seja uma personagem feita para você não gostar dela. E se for este o caso a autora fez um bom trabalho na construção da sua personagem.

Eu gostei muito da parte do podcast, e também do fato de ser possível ouvi-lo! Ele está disponível gratuitamente no site da editora americana Macmillan. Ouvir enquanto lia foi uma experiência diferente e boa.

Mas com toda certeza, meu maior problema com Sadie foi o final. 

O final de Sadie é aberto. Não vou falar sobre especificidades mas vou apenas dizer que odiei. Depois que terminei de ler fiquei tentando pensar se lembrava de outros livros que tenham final aberto, mas não consegui lembrar. O fato é que para mim este final não funcionou. Foi um dos fins mais frustrantes que li nos últimos anos. Me senti traída pela autora, porque investi meu tempo e meus sentimentos ao ler essa história, apenas para ela terminar de uma forma completamente insatisfatória. Isso afetou tanto minha relação com o livro que minha classificação desceu para duas estrelas. As outras coisas positivas do livro, como a rapidez da leitura e a fluidez da escrita, somados ao podcast, foram fatores que me impediram de odiar o livro totalmente.

Portanto, minha maior ressalva ao recomendar (ou não) este livro, é com o alerta sobre o fim. Se você não se importa, ou até mesmo gosta de finais abertos este pode ser um livro para você. 

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