Tash & Tolstói – Kathryn Ormsbee

Natasha Zelenka é apaixonada por filmes antigos, livros clássicos e pelo escritor russo Liev Tostói. Ela inclusive produz uma websérie com sua melhor amiga que é uma adaptação de Anna Karênina, chamada Famílias Infelizes. 

Não é engraçado como algo pode ser uma piada por muito tempo e de repente não ser mais? Você ri de uma nova música pop horrível até o fatídico dia em que se pega ouvindo vinte vezes seguidas sem nenhuma ironia.

Literalmente da noite para o dia o canal do youtube delas fica famoso, com milhares de novos inscritos e pessoas comentando o trabalho delas. Depois de alguns dias elas são indicadas à Tuba Dourada (o Oscar das webséries). Ir ao evento era o sonho das duas amigas, não apenas por terem uma indicação, mas também para conhecerem outros produtores de conteúdo, e no caso de Tash conhecer Thom, um youtuber com quem ela vem conversando regularmente há alguns meses e por quem tem um queda.

A escrita de Kathryn é simples e fluida, tornando o livro quase que passível de ser devorado em uma sentada. O livro é um perfeito YA, que conta com momentos em família, momentos com amigos, momentos de autodescoberta, nostalgia do ensino médio em preparação para a faculdade etc etc. A única coisa que me incômodou no meio disso tudo foi que nenhum dos âmbitos pareceu ter sido devidamente explorado, foram apenas pinceladas em cada um e senti falta de ter mais desenvolvimento e aprofundamento neles para que houvesse uma plot mais densa.

Gostei muito do relacionamento de Tash com Jack, a melhor amiga, e com Paul o irmão da melhor amiga. Também gostei muito da dinâmica familiar dela, mas de novo queria que tivesse mais aprofundamento.

Eu amei a Tash! Ela é fofa, determinada, e ainda está se descobrindo. Eu gostei muito que a sexualidade da personagem, Tash é assexual, não foi jogada nas páginas como um artigo da wikipédia ou algo do tipo, as coisas são explicadas de maneira sutil e de acordo com a demanda crescente da obra. Também é interessante ressaltar que apesar do livro ter essa representatividade, que foi feita de maneira incrível por sinal, o foco do livro não é sobre questões de sexualidade e etc. Se eu tivesse que escolher diria que o foco do livro é mais na amizade do que em qualquer outra coisa.

Minha interpretação é: se você quer ter uma chance de ser feliz, simplesmente exista. Porque, sim, a vida pode ser uma droga, mas, desde que você esteja vivo, a chance de ser feliz existe.

Houveram algumas atitudes da personagem que eu não concordei e momentos que fizeram o livro ficar um pouco out of touch com a realidade, mas acredito que o motivo de minha classificação final ser de três estrelas foi que a mim faltou algo. Meus sentimentos para com o livro simplesmente não chegaram lá. Isto é, eu gostei muito dele, mas não amei.

Ainda assim Tash & Tolstói é um livro que recomendo, para uma leitura rápida, para quem gosta de contemporâneos, para quem gosta de Tolstói (haha), para quem gosta de YA, e para quem quer ler um livro com boa representatividade.

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