Neverworld Wake – Marisha Pessl

Marisha Pessl é a autora de Filme Noturno, mais conhecido como meu livro favorito da vida (ok junto com alguns outros, hehe). Apesar de não saber muito sobre a trama de Neverworld Wake (uma das edições em espanhol traduziu- como ‘Eterna Vigilia’ e acho que é uma boa tradução devido à dificuldade de traduzir a palavra neverworld) iniciei a leitura do livro com grandes expectativas. Este também é o primeiro lançamento da autora na área de literatura Young-Adult.

Beatrice Hartley tinha tudo durante o ensino médio. O grupo eram seis, os melhores amigos inseparáveis, os ‘legais’ da escola, os que todos admiravam. Eles eram, Whitley, Cannon, Kip, Martha e Jim, o namorado de Beatrice. Mas a morte inesperada e chocante de Jim mudou tudo. Agora, um ano depois do que aconteceu, incluindo Beatrice cortar toda e qualquer relação com seus antigos amigos, ela retorna para Wincrof, a propriedade da família de Whitley onde todos se reuniam sempre, para contar segredos, para dar festas, para viverem aventuras. E Beatrice espera que ao adentrar novamente neste lugar que lhe era tão importante, consiga descobrir as respostas para as perguntas que cercam a misteriosa morte de Jim.

Neverworld Wake é um incrível cinco estrelas.

Como as pessoas que nos mudam são aquelas que nunca conseguimos enxergar claramente, não até que elas tivessem ido embora.

Não importa o que você pense que este livro será, ou qual será a plot a ser desenvolvida, ele irá surpreender. É por isso que é tão difícil falar sobre ele sem dar algum spoiler significativo. Em primeiro lugar a escrita. Me surpreendi bastante com o quão diferente a escrita da autora está neste livro, comparado à Filme Noturno, apesar dele ser um livro adulto a escrita de Filme Noturno é mais “simples” e direta, enquanto que a escrita de Neverworld Wake tem uma profundidade maior, inclusive foi algo que demorei a me acostumar quando peguei o livro para ler, é um livro que requer uma atenção dobrada não apenas para entender a parte “material”, a escrita, quanto a parte “imaterial” a história.

Em segundo lugar os personagens. Cada um deles é como um esterótipo de alguem que você pode encontrar em um filme adolescente (especialmente um que envolva internatos), mas apesar desta característica cada um deles possuí uma profundidade há mais, algo escondido que só será revelado mais à frente na narrativa, algo inesperado que os remove do senso comum e do comportamento esperado para tal estereótipo que presumimos que eles tenham.

Assim como seus personagens misteriosos Neverworld Wake é um thriller intrigante e cativante, algo impossível de parar de ler. Suas camadas e camadas de revelações e de novas informações continuam a flutuar até a superfície enquanto o leitor se aventura por este mundo ricamente construído, com uma atmosfera e ambientação tão precisamente construídas e densas quanto a neblina que se impõe diversas vezes durante a narrativa. Neverworld Wake é tão complexo que seria impossivel definí-lo. É um thriller viciante, um sci-fi bem estruturado, é uma história sobre erros, sobre amizade e sobre os pequenos horrores que encontramos por aí. É uma história sobre memória, e sobre como, por mais que tentemos, nunca conseguimos ver corretamente as pessoas que nos cercam da maneira que elas realmente são. Neverworld Wake não tem nada em comum com Filme Noturno e ao mesmo tempo os dois são como dois irmãos. Se não na maneira como finalizam suas narrativas, com um último impacto nocauteante que deixa o leitor desnorteado e desesperado por mais, então na maneira como ambos me afetaram profundamente, deixando-me em lágrimas por conta da maneira brutal com a quão expôe verdades inegáveis sobre as relações humanas, verdades inegáveis que existem como palavras escritas e encontram uma conexão perfeita com o que existe dentro de nossos corações.

Nós juramos que vemos uns aos outros, mas tudo o que conseguimos enxergar é apenas uma pequena portinhola com vista para um oceano. Nós pensamos que lembramos do passado como ele aconteceu, mas nossas memórias são tão fantásticas quanto sonhos frágeis. É tão fácil odiar a bonita, endeusar o gênio, amar o rock star, confiar na boa garota. Mas essa não é a única história deles. Nós somos todos antologias. Cada um com milhares de páginas, preenchidas com contos de fadas e poesia, mistérios e tragédia, com histórias esquecidas no final que ninguém jamais irá ler.

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