O Clube de Boxe de Berlim – Robert Sharenow

Não é segredo que sou uma fã de livros sobre o tema da Segunda Guerra Mundial, e quando vi O Clube de Boxe de Berlim na livraria fiquei com muita vontade de lê-lo, mas não esperava tamanha decepção.

O livro narra a história de Karl Stern, um menino que é judeu, mas afirma que seu pai é ateu, sua mãe é agnóstica e que ele não teve nenhuma educação religiosa, e também não conhece nem pratica os hábitos culturais dos judeus,e inclusive não tem aparência de judeu! Então ele mesmo nem se considera judeu. Esse é um dos maiores problemas que eu encontrei no livro, primeiro que, em se tratando de termos de raça, no judaísmo se você é nascido de um ventre judeu, você já é judeu automáticamente, querendo ou não, praticando a religião ou não, sabendo ou não, enfim, você simplesmente é. Em nenhum momento o autor mencionou essa questão no livro. O que achei bizarro foi que o personagem estava constantemente dizendo coisas sobre ele que eram ou não judias apenas para depois afirmar que ele não se considerava judeu, isso fui simplesmente ridículo. Até mesmo o fato de ele ser circuncidado não se deve à religião e sim a uma questão de saúde.

De fato a problemática é muito grande, inclusive quando em diversos momentos ao longo de toda a narrativa ele afirma que tanto ele quanto a mãe não tem “aparência de judeus” e portanto não são vitmas de tanto preconceito ou chacotas quanto o pai e a irmã. É sabido que isso de aparência era apenas um estereótipo pregado nas propagandas nazistas, onde os judeus tinham cabelos escuros e encaracolados, narizes grandes e etc. O próprio fato de Karl ser um judeu loiro de olhos claros já prova que não existe essa questão de aparência judaica, isso tudo só torna o livro ainda mais impossível de levar à serio.

Em segundo lugar o livro é essencialmente sobre o boxe. Não tenho nada contra o esporte, mas também não tinha tanto interesse em ler sobre ele assim, mas acredito que essas questões foram as únicas que foram abordadas de maneira mais correta no livro, e eu nem sabia que o personagem de Max Schmeling era uma figura real.

O que diz na quarta capa do livro “uma nova perspectiva sobre o holocausto” é outro erro, visto que o livro se passa entre 1934-1938 ou seja no período pré-guerra, ainda não era o holocausto e mesmo assim o que nos foi mostrado no livro foi apenas uma prévia dos horrores que viriam a se desenrolar durante a guerra.

O livro tem uma escrita extremamente simples que não se aprofunda em nada em especial nos sentimentos do protagonista, achei-a estremamente fraca e completamente esquecível. Os personagens são unidimensionais e pouco explorados, e de fato nos quase quatro anos de tempo da história pude perceber poucas mudanças ou evoluções em Karl em termos de amadurecimento psicológico, a unica coisa a evoluir foram suas habilidades no boxe.

De fato O Clube de Boxe de Berlim é um livro que traz uma trama interessante, a do boxe, e teria funcionado se tivesse sido orquestrada de outra maneira, com um protagonista que tivesse menos problemas em lidar com suas origens genealógicas. Estou cansada das editoras quererem vender livros sobre a segunda guerra mundial quando eles não o são de fato.

Você pode conferir aqui outros livros que resenhei sobre o tema da Segunda Guerra Mundial.

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.