Ouça a Canção do Vento; Pinball, 1973 – Haruki Murakami

Esses dois contos, que são os primeiros do autor, publicados respectivamente em 1979 e 1980, apesar de ainda um pouco “crus” já trazem elementos que viriam a ser tão clássicos e presentes na obra do autor.

Vendo de longe, qualquer coisa fica bonita.

Já li a trilogia 1Q84 escrita por Murakami (e recomendo muito) e ainda estou muito curiosa para me aventurar mais por outros livros dele. Os contos reunidos neste volume são o início da história de alguns personagens que irão reaparecer em Caçando Carneiros e Dance Dance Dance formando assim uma espécie de quadrilogia (ao meu ver).

As histórias são um pouco confusas porém de escrita simples e com ritmo extremamente veloz, é perfeitamente possível lê-las em um unico dia. Em Ouça a Canção do Vento, um estudante de biologia passa as férias de verão em sua cidade natal e relembra os amores de sua adolescência ao mesmo tempo que entra em um novo relacionamento. Já em Pinball, 1973, um tradutor se vê obcecado por uma maquina de fliperama e parte em uma busca que o levará aos limites da realidade. De longe o meu preferido foi o segundo, há algumas cenas realmente memóraveis e toda a premissa da história, envolvendo os tais fliperamas, foi realmente curiosa e intrigante de se ler.

Foram muitos sonhos, muitas tristezas, muitas promessas. No fim, tudo desaparece.

Apesar de boas histórias, ambas são apenas isso, boas, não há nada incrível nem surpreendente, nem metade dos absurdos que me deparei enquanto lia 1Q84, mas ainda assim é extremamente curioso “voltar no tempo” e ler o começo da carreira do que hoje é um consagrado autor japônes, e de fato uma das minhas partes favoritas do livro foi o prólogo, escrito pelo autor em 2014 onde ele conta um pouco de seu processo criativo e como ele começou a escrever seus “romances de cozinha” sentado à frente da máquina de escrever em sua cozinha (risos). E o mais incrível de tudo isso é que ele não estava conseguindo escrever de um jeito que gostasse então começou a escrever em inglês. Depois ele pegava tudo que tinha escrito e então traduzia de novo para o japônes e dái surgia então seu estilo tão peculiar de escrita.

Como um sujeito nascido e criado no Japão, uso a língua japonesa todos os dias desde criança, e assim inúmeros vocábulos e expressões foram se acumulando dentro do meu sistema, como um galpão abarrotado de coisas. Quando tento transformar em texto sentimentos e imagnes que tenho na minha mente, todas essas coisas se agitam e se chocam, até que o sistema dá pane e trava. No entando, quando escrevo em outra língua isso não acontece, pois as opções são limitadas. O que eu descobri naquele momento foi que, mesmo com uma quantidade reduzida de palavras e expresões , se você conseguir combiná-las de forma efetiva, é capaz de expressar bastante bem sentimentos e reflexões. Ou seja, percebi que nao é preciso usar um monte de palavras difíceis nem tentar impressionar o leitor com frases rebuscadas.

Fiquei realmente maravilhada com essa informação e isso me fez admirar ainda mais esse autor. Espero em breve poder ler mais coisas dele.

3 comentários sobre “Ouça a Canção do Vento; Pinball, 1973 – Haruki Murakami

  1. São histórias legais e bem “loucas”, nonsense. Mas essa é a marca do Murakami, desde o início. Li o livro sem expectativas e no final saí feliz, pois gostei daquilo que li.
    Uma ótima análise. Também escrevi uma, ano passado. Convido-a a visitar meu blog, caso queira ver minha opinião. Também gosto muito de livros!
    Abraço.

    1. Ketelen Cruz Lefcovich

      Obrigada, realmente o estilo do autor é bem único e eu gosto muito! Li e gostei da sua análise também. xx.

  2. Primeiramente! OLHA ESSA CAPA DURA E COLORIDA. O livro já é uma delicia só por ter essa edição linda.
    Segundo, não digo que seja veloz mas sim Dinamico. E acho que é bem pelo motivo que ele explica sobre escrever em inglês e logo isso limitar o vocabulo e a complexidade de sua escrita.
    A parte que mais me deixou com tesão foi quando ele escreve sobre a questão da Arte e a Grécia.

    Enfim, genial. Quero ler mais e mais da obra dele.

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