O Clube dos Oito – Daniel Handler

O Clube dos Oito, livro publicado originalmente em 1999, é o primeiro romance de Daniel Handler (também conhecido como Lemony Snicket).

O livro é narrado por Flannery Culp, uma narradora completamente não confiável já que, ela começa editando seu diário onde se encontram seus pensamentos e análises de um período sombrio de sua vida. O ínicio do último ano do Ensino Médio e também o momento em que Flan se tornou uma assassina. A mídia agora só fala nela, contratando psicólogos e especialistas em comportamento juvenil para análisa-la e proferir um veredicto e afirmações que não tem nada haver com a verdade. É por isto que Flan está editando seu diário, para que a verdade verdadeira seja finalmente contada a todos.

O Clube dos Oito é formado por Flan e seus amigos: Kate, a rainha das fofocas do colégio; a sofisticada V. (cujo nome foi omitido do relato visto que ela vem de uma família proeminente que não quer seu nome associado ao escândaloso assassinato); Douglas, ex-namorado de Flan; Lily, estudante de música; Gabriel, gentil e extremamente apaixonado por Flan; Jennifer Rose Milton, filha da professora de francês; e Natasha, a exuberante melhor amiga de Flan. Os amigos são inseparáveis e a despeito dos ocasionais “membros adjuntos” que vem e vão, o que sempre resta são os oito, e eles fariam qualquer coisa para proteger uns aos outros.

Os amigos tem o hábito de se reunirem para jantar, e fazem disso algo pomposo e elegante. Gabriel é quem sempre cozinha, e cada um dos outros também tem suas funções definidas, e sempre que os jantares acontecem, eles acabam não sendo o prato principal, visto que muitas outras coisas acontecem quando os amigos se reúnem. E logo o nome que era um apelido carinhoso entre eles, aperece em manchetes relacionado a palavras como “ocultismo” e “assassinato”.

O Clube dos Oito foi uma surpresa. Eu esperava muito dele e recebi algo diferente, algo que me fez pensar e até tive que parar para digerir o que havia lido antes de conseguir escrever a resenha e ter uma opinião formada sobre a obra. As palavras chave na hora de análisar e de ler este livro são: contexto da época. O livro foi escrito, publicado e se passa nos anos 1999, quase que vinte anos atrás, ou seja, esta, assim como muitas obras datadas, não podem ser excrutinadas e dissecadas com olhos julgadores dos anos 2018, é preciso um pouco de cautela e de análise para absorver e entender tudo que este livro tem a nos oferecer.

A ambientação da história está incrível, desde a ausência de qualquer figura paterna na vida dos Oito, o livro já nos mostra uma juventude sem supervisão nem qualquer amparo por parte dos pais, e isso se reflete também em seus hábitos de excesso de bebidas e festas, tanto que consigo enumerar pelo menos seis momentos em que Flannery está narrando algo sob o efeito de álcool onde ela mesma não entende o que está vendo, confunde pessoas e lugares ao seu redor e isso tudo nos é transmitido através de sua escrita confusa e embaralhada. Isso ajudou a criar uma atmosfera muito particular para a história, além de ser muito imersiva, como um perfeito filme da época. As personalidades e esterótipos dos Oito também são muito críveis e bem feitas, e os personagens conseguem ser convincentes e reais mesmo que não haja muita aprofundação individual em cada um.

Há muito humor no livro e diversas passagens que ecoam o estilo que Handler viria a se utilizar tanto em suas obras futuras. De fato em inúmeros momementos me peguei rindo em voz alta das situações e falas absurdas (tão à la desventuras em série) que aparecem na história. Uma coisa muito digna de nota foi que algumas personalidades aparecem com nomes diferentes durante a obra, como a entrevistadora Winnie Moprah, o escritor Stephen Queen e a atriz Rinona Wide que irá interpretar Flan na produção cinematográfica O Clube dos Oito, Clube do Ódio: A História de Flannery Cup.

Uma das coisas que mais me surpreendeu na narrativa e que mudou minha opinão na hora de classificar o livro foi a grande plot twist do fim e ela veio de uma maneira tão diferente do que eu imaginava que fui realmente pega de surpresa.

Não leia O Clube dos OIto achando que este sera seu básico livro sobre crimes, nem leia achando que ele será como os Young Adults que lemos hoje em dia. O que temos aqui é um precursor do gênero, algo que inovou no contexto em que estava inserido e que se tratando do primeiro livro de um autor é nada menos do que genial. Cuidado com O Clube dos Oito porque ele pode te irritar e te incomodar, mas você vai adorar.

2 comentários sobre “O Clube dos Oito – Daniel Handler

  1. Isadora Leão

    Me irritou, me incomodou e achei que o autor, ao escrevê-lo, estava em um verdadeira viagem (sob efeito de absinto? Rs). Muito ruim.

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