Tartarugas Até Lá Embaixo – John Green

Tartarugas Até Lá Embaixo é o novo livro de John Green, o primeiro a ser lançado em cinco anos (desde o lançamento de A Culpa é das Estrelas em 2012) e um livro que ele esteve escrevendo por seis anos.

Qualquer um pode olhar para você, mas é muito raro encontrar quem veja o mesmo mundo que o seu.

Aza Holmes não está muito afim de sair bancando a detetive (apesar do sobrenome, rs) para solucionar o desaparecimento do bilionário Russel Pricket, mas como há uma recompensa (mais especificamente de 100 mil doláres) sua melhor amiga Daisy a convence de tentar desvendar o mistério, isso leva as duas ao único contato que possuem com o magnada, o filho dele, Davis.

Porque naquela época era como se eu sentisse tudo de brincadeira, experimentando as emoções em vez de ser prisioneira delas. O verdadeiro terror  não é ter medo, e não ter escolha senão senti-lo.

Para começo de conversa (ou resenha) o livro não é sobre um mistério/investigação. Não é sobre um romance. O livro é sobre TOC e doenças mentais. O próprio John tem TOC e já falou sobre isso aqui, inclusive mencionando que o livro abordava este tópico. Aliás o canal dos vlogbrothers é muito incrível.

De fato em diversos momentos enquanto lia o livro, a sensação que tive foi de uma certa opressão… Algo denso e quase claustrofóbico, e isso eram as descrições dos inúmeros episódios de “espirais de pensamento” em que a protagonista se encontrava, obsessivando de novo e de novo sobre pensamentos que ela não escolheu ter, que simplesmente se infiltraram em sua mente e dominaram tudo ali. Algo que Aza sempre faz para tentar se sentir “real” e no controle da situação quando tem algum episódio é apertar e pele do dedo indicador com a unha do polegar, tanto que isso gerou um calo, mas o machucado e a dor que ele provoca a ajudam de certa maneira a acalmar-se um pouco.

Estar vivo é sentir saudade.

Uma das palavras que posso usar para descrever este livro é que ele é estranho, mas um estranho muito incrível e necessário. É um livro completamente diferente de tudo que John já publicou, e segundo ele mesmo é sua obra mais pessoal. Enquanto eu lia, além de perceber muito dele na história, também comecei a pensar como deve ter sido um peso tirado de seus ombros ao escrevê-la, como uma catarse, e ao refletir sobre isso meu carinho, admiração e respeito pelo autor só aumentaram.

Aza é uma personagem complexa, cheia de falhas e qualidades e muito peculiar. Gostei muito da construção dela. Os personagens secundários como Daisy, sua melhor amiga e escritora de fanfics de Star Wars e Davis, o interesse amoroso de Aza, também são muito bons. A dinâmica e os relacionamentos interpessoais são realmente importantes para o andamento da história e há inúmeros diálogos que são como socos no estômago enquanto se lê.

Ninguém nunca diz até logo a menos que queria ver a pessoa novamente.

O livro está cheio de quotes maravilhosos e há inúmeras passagens que fazem o leitor se identificar, até mesmo quando a identificação é com algum aspecto “negativo”. Este é um livro muito importante, especialmente pelo fato de John Green ser um autor tão lido e o livro abordar um assunto tão tabu quanto doenças mentais, espero que a história ajude e inspire as pessoas.

Devorei o livro em apenas vinte e quatro horas, mas este é um daqueles livros que ficam com você mesmo muito depois do final, que te fazem pensar e refletir sobre o que leu por muito tempo. Não posso deixar de mencionar como o final me destruiu. Estava com saudades de ler algo do John Green e fico muito feliz por ele ter escrito este livro, do jeitinho que ele é. Obrigada.

Eu, pronome pessoal no singular, continuaria seguindo em frente, mesmo que sempre numa oração condicional.

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