Geekerela – Ashley Poston

Geekerela, como o próprio título sugere, é uma releitura geek de Cinderela.

Apontar para as estrelas. Mirar. Disparar.

Elle é fã de Starfield um seriado clássico de ficção científica que ela costumava passar horas assistindo com o pai. Agora um remake hollywoodiano da série está sendo gravado e Elle não sabe bem como se sentir sobre isso, afinal ela não quer que tudo que ela conhece e ama seja arruinado por uma adaptação ruim e por fãs que nunca ouviram falar da série. Mas quando a produção do filme anuncia um concurso de cosplay valendo ingressos para a premiere do filme e para um baile com os atores Elle não consegue resistir. Na Abóbora Mágica, foodtruck vegano em que Elle trabalha, sua colega de trabalho vai se transformar em fada madrinha para ajudá-la a se preparar para o evento. Do outro lado da história temos Darien, o astro adolescente escalado para interpretar Carmindor, o príncipe da federação e o protagonista de Starfield. O nerd interior de Darien está nas nuvens, afinal é fã da série há muito tempo, mas ninguém sabe disso, e o fandom de Starfield já esta julgando-o como apenas mais um rostinho bonito indigno do papel que recebeu…

Não li muitas releituras, e com certeza uma das que mais gosto foi a trilogia de O Lado Mais Sombrio inspirado em Alice no País das Maravilhas. Em termos de história Geekerela se mantém bem fiel à Cinderela, portanto há praticamente só vilãs mulheres, e Elle é muito indefesa, muito subjugada e muito coitada, e apesar de não gostar desse retrato da personagem é assim que Cinderela é, então como fugir disso? Como fugir de um final onde tudo se resolve magicamente sendo que é assim que os contos de fadas são? Essas são algumas das problematizações que permearam a minha leitura, mas decidi que não irei crítica-las nem desconstruí-las, mas gostei de ter tido esses pensamentos enquanto lia.

A dupla perspectiva da história, ora narrada por Elle ora por Darien, assomada às conversas por mensagens de texto (que inclusive os personagens estão no celular na capa e quarta capa) me lembrou muito A Nova Cinderela, filme da Hilary Duff e Chad Michael Murray, e isso foi uma coisa que gostei bastante.

Um dos pontos mais importantes e positivos do livro é a homenagem que ele faz a qualquer pessoa que já foi fã de alguma coisa, além das incontáveis referências a coisas de cultura pop, incluindo Star Wars, Star Trek, Senhor dos Anéis, Harry Potter, entre outros, Geekerela descreve muito bem o sentimento de amar alguma coisa de maneira tão apaixonada como só os fãs sabem fazer. Esse tipo de coisa, como há por exemplo em Fangirl, sempre me deixa muito feliz e traz uma sensação de pertencimento, pois os incontáveis parágrafos sobre o assunto são nada menos do que completamente relatable.

E, com isso, faço a saudação da palavra de honra.

Um turiano ao meu lado imita o gesto. E um nox. Um Jedi. Um vulcano. Um elfo noturno. Toda a Sociedade do Anel. Todos os presentes, cada um com seu cabelo, fantasia e máscara, erguem as mãos na saudação da palavra de honra, mostrando que, debaixo das vestes, armaduras ou macacões de lycra, somos iguais, corações batendo num só compasso. Até podemos ser diferentes, torcer por casais diferentes ou ser fãs de histórias diferentes, mas, se aprendi alguma coisa (…) foi que, quando nos transformamos nesses personagens, partes de nós se acendem como fogos de artifício. E brilham. Nós brilhamos. Juntos.

Outra coisa que adorei que o livro abordou foi a questão de “garotas geek fake” algo que homens falam para desmerecer mulheres que gostam de coisas geek/nerds/sci-fi etc e isso foi uma crítica sensacional ao machismo enraizado e preconceituoso presente até hoje.

Também adorei que a autora criou seu próprio mundo, o Starfield, ao invés de fazer Elle ser fã de algo que já existe. Isso deu muita verossimilhança para o livro, além de que a construção do mundo foi tão boa que me fez desejar que Starfield fosse real para que eu pudesse assistir a série e me tornar fã também.

Toda a loucura, a euforia, os surtos individuais porém coletivos no twitter, as fanarts, os cosplays, as convenções, o amor, tudo que compõe o ato de ser fã está aqui e só por isso esse livro já é maravilhoso. Geekerela é um prato cheio para para se sentir acolhido, entendido e parte de algo.

Acompanhe o Prateleira de Ideias nas redes socias:

facebook | instagram | youtube | goodreads

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.